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terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Um pouco de luz na escuridão



A luz resplandece nas trevas e neste labirinto de situações impensáveis que minha vida se encontra, estou sendo agora iluminado pela graça e misericórdia do Senhor.
Eu sei que sou culpado por toda esta angústia que aflige minha alma, mas também sei que estou sendo resgatado pela luz que tudo manifesta.
Pois o justo, ainda que caia, jamais ficará prostrado.
Também sei que nem a morte, nem a produndidade, nem os poderes deste século, poderão me separar do amor de Cristo.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Fio da Navalha


Caminhando no fio de uma navalha invisível, um homem segue sua existência sem perceber os cortes que vão ficando cada vez mais profundos. No começo era apenas a carne, depois os ossos foram se partindo, agora era sua alma que começava a se esfacelar, afligindo-o sobremaneira. O homem famélico gritava palavras sem sentido como se quisesse se fazer ouvido em meio à multidão, que o rodeava entorpecida. Ninguém lhe dava a atenção que ele julgava devida. Tanto barulho por nada. Ele pensou parafraseando Shakespeare... (trecho do conto Estrada da Justiça, Caminho da Perdição... de minha autoria)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Meu niver tá chegando...


ANIVERSÁRIO
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu era feliz e ninguém estava morto.

Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,

E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,

De ser inteligente para entre a família,

E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.

Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.

Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,

O que fui de coração e parentesco.

O que fui de serões de meia-província,

O que fui de amarem-me e eu ser menino,

O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...

A que distância!...(Nem o acho...)

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,

Pondo grelado nas paredes...

O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),

O que eu sou hoje é terem vendido a casa,

É terem morrido todos,

É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!

Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,

Por uma viagem metafísica e carnal,

Com uma dualidade de eu para mim...

Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...

A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,com mais copos,

O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---,

As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!

Não penses!

Deixa o pensar na cabeça!

Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!

Hoje já não faço anos.

Duro.

Somam-se-me dias.

Serei velho quando o for.

Mais nada.

Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
Álvaro de Campos, 15-10-1929

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007


Tão estranha é a nossa convivência com as outras pessoas. Por mais que cuidemos, por mais que nos esforcemos, nunca saberemos quando uma pessoa vai te ser fiel, ou não. Judas traiu jesus com um beijo. Esta atitude é interessante pois só podemos ser traídos por nossos amigos, por pessoas próximas. De pesssoas estranhas ou dos inimigos não costumamos esperar nada, mas dos amigos, quanto mais próximos, mais esperamos alguma consideração.

Infelizmente, sempre existe em nossas vidas os tais Judas com seus beijos fatais.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Arteanda


By Giuliano F. Miotto


O Homem-matéria grita no espaço;
Forma confusa, ao mundo comove,
Cor profunda, sentimentos remove.

A tez macia reflete um cansaço,
O arco-íris desprende das mãos,
Diletantes do cuidadoso artesão.

O desenho leniente replege anseios,
Arremeça sonhos em luas brilhantes,
Arrefece a sina amarga, estafante.

Linhas que contêm tristes devaneios,
Nuanças distorcidas de aço e cabelo,
Aquarela gemendo no mundo singelo.

E o homem-matéria se dissolve no solvente,
Vira a alegoria sintética da folha de papel,
Ampliando os efeitos do firme pincel.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Os 300 de Esparta


Há uns quatro anos, mais ou menos, li um livro chamado “Portões de Fogo”, escrito por Steven Pressfield, no qual é relatada, de forma romanceada, a famosa Batalha de Termópila, onde trezendos guerreiros espartanos liderados pelo rei Leônidas conseguiram segurar no desfiladeiro de Termópila, por sete dias, mais de dois milhões de combatentes do império persa. Tempo suficiente para o exército grego se reorganizar e repelir a invasão do rei Xerxes em 480 a.C.:
A história é contada sob a perspectiva de um dos guerreiros espartanos que fora capturado pelos persas, como se ele estivesse sendo inquirido pelo próprio Xerxes. O qual, questionado acerca do Rei Leônidas (comandante do exército espartano), responde o seguinte:
“Vou dizer a vossa Majestade o que é um rei. Um rei não enfrenta o perigo dentro de uma tenda, enquanto seus homens sangram e morrem no campo de batalha. Um rei não janta enquanto seus homens passam fome, nem dorme quando eles estão vigiando sobre o muro. Um rei não exige a lealdade de seus homens através do medo nem a compra com ouro; ele ganha o seu amor com o próprio suor e os sofrimentos que padece em nome deles. O que significa o fardo mais penoso: o rei é o primeiro a se levantar e o último a cair. Um rei não exige o serviço daqueles que ele lidera, mas o fornece a eles. Ele os serve, não o contrário.”
Há alguns anos atrás, o roteirista Frank Miller reproduziu essa história em quadrinhos maravilhosos. Agora, finalmente, alguém (Zack Snyder) teve a brilhante idéia de lançar um filme baseado no roteiro de Miller. Será lançado em março e compensa uma ida ao cinema para vê-lo.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007


Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida

Meus olhos andam cegos de te ver!

Não és sequer a razão do meu viver,

Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida ...

Passo no mundo, meu Amor, a ler

No misterioso livro do teu ser

A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ...

"Quando me dizem isto, toda a graça

Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros :

"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."


Florbela Espanca

Livro de Soror Saudade (1923)